Marketing de Conteúdo
Marketing de Conteúdo: quando o jornalista coloca o pé na Publicidade

Se tem um campo que a era digital embaralhou de vez são os papeis dos profissionais de Comunicação. Aquela separação do início da faculdade, quando alguns vão para o lado do Jornalismo, outros para Publicidade, e alguns ainda para Relações Públicas, já não existe mais. No mundo digital, todos nós hoje somos produtores de conteúdo — até mesmo quem não passou por nenhum dos cursos acima!
Diferente das plataformas de mídia tradicionais, onde o conteúdo é gerado por profissionais especializados, os usuários da web e das redes sociais podem criar e compartilhar qualquer tipo de informação, possibilitando a divulgação espontânea de produtos e serviços para seu público.
Esse cenário gerou um desafio para os times de marketing: eles precisavam aprender a lidar com essa nova maneira de se comunicar, baseada em fornecer informação relevante, tornar suas mensagens mais criativas, atraentes e personalizadas para o seu público-alvo.
Daí surgiu o termo Marketing de Conteúdo que, de acordo com o Content Marketing Institute, “é uma abordagem de marketing estratégica focada na criação e distribuição de conteúdo de valor, relevante e consistente, para atrair e reter uma audiência claramente definida e, ao final do dia, direcionar o consumidor para uma ação rentável para a companhia”.
Em outras palavras, para produzir o tal Marketing de Conteúdo os marketeiros ou publicitários precisam se transformar em produtores de conteúdo original e consistente — tarefa geralmente exercida por jornalistas. Por outro lado, está aí um novo e amplo campo de trabalho para os profissionais da escrita (ou da fotografia, do vídeo, da música, porque conteúdo é tudo isso).
O fato é que nunca se produziu tanto conteúdo quanto nos dias de hoje! A cada segundo, são 7 mil novos tweets, 800 fotos no Instagram, uma hora a mais de vídeos no YouTube. Só para dar alguns exemplos!
Engajar em vez de persuadir
A grande diferença do Marketing de Conteúdo para a publicidade é que, nele, a influência não é alcançada com mensagens persuasivas diretas e explícitas, mas sim por meio do engajamento da audiência e do reconhecimento da marca. É algo mais perene, sustentável, que vai aproximar a marca do consumidor.Quer um exemplo? Em vez de pagar uma campanha publicitária para lançar um novo carro conversível, uma montadora pode criar um blog ou uma série de podcasts sobre a diversão de dirigir em estradas inusitadas pelo mundo afora sob o Sol.
E é isso que as pessoas querem. Uma pesquisa da Time Inc. que envolveu milhares de pessoas em todo o mundo descobriu que 90% dos respondentes preferem as marcas que produzem conteúdos personalizados para se engajarem com eles e 50% das pessoas percebem que é por meio desse conteúdo original que as marcas compartilham as informações mais interessantes sobre seus produtos e serviços — e não com suas mensagens promocionais.
É o tal do storytelling que tanto ouvimos falar nos últimos tempos: contar a história da marca, de maneira autêntica, genuína, mas que ao mesmo tempo gere alguma empatia no consumidor.
O Marketing de Conteúdo sempre funciona?
Como profissional apaixonada por produção de conteúdo há mais de 30 anos, minha tendência imediata é falar que sim, sempre funciona. Mas vou listar aqui algumas situações em que essa estratégia é mais adequada ou mais eficiente.- Engajamento de público em campanhas integradas
O segredo, aqui, é manter um alinhamento perfeito entre as mensagens das mídias tradicionais com o conteúdo gerado.
- Quando os resultados da campanha tradicional são difíceis de mensurar
O Marketing de Conteúdo é uma boa escolha quando não se conhece ao certo os impactos e o resultado de uma campanha tradicional. Por exemplo: uma campanha publicitária bem executada pode alavancar as vendas e o reconhecimento da marca no curto prazo, mas como avaliar o seu impacto no médio e longo prazos? Lealdade à marca e confiança podem ser questionáveis e difíceis de mensurar, neste caso. O Marketing de Conteúdo é, de longe, uma estratégia muito mais efetiva para desenvolver um engajamento sustentável do consumidor e conquistar verdadeiros advogados da marca. Até porque o conteúdo produzido é perene: ele permanece disponível na Internet e é por isso que 93% das organizações consideram o seu conteúdo original como um ativo da empresa que aumenta de valor ao longo do tempo.
Quando o objetivo da campanha é aumentar o engajamento e o conhecimento da marca ou do produto
Da mesma forma que no caso anterior, o Marketing de Conteúdo é mais poderoso do que as atividades tradicionais do marketing para aumentar a consciência das pessoas em relação a um produto, uma marca ou mesmo uma causa. Um spot de 30 segundos na TV ou mesmo um banner na web podem levantar o interesse imediato, mas temporário, enquanto o Marketing de Conteúdo é mais eficaz em trabalhar a educação do consumidor. É por isso também que essa estratégia é amplamente adotada no Marketing Social, ou seja, quando queremos promover causas sociais — como proteção ambiental e saúde, por exemplo.
- Para empresas com budget limitado
O Marketing de Conteúdo é uma ferramenta com excelente custo benefício: custa, em média, 62% menos que o marketing tradicional e gera três vezes mais leads. Isso faz dela a ferramenta ideal para empresas e startups com pequenas verbas de marketing, mas em busca de um crescimento agressivo. Também é uma boa forma de promover produtos baseados no conhecimento, como a venda de serviços.
Portanto, se você é da área do marketing e ainda não abriu os olhos para o Marketing de Conteúdo, está atrasado: 93% dos marketeiros do segmento B2B atuam com Marketing de Conteúdo; 60% dos que estão no segmento B2C têm uma estratégia de conteúdo definida; e 78% dos CMOs acreditam que esse é o futuro do marketing.
E se você é expert em produção de conteúdo, sorte sua — 60% dos marketeiros têm problemas para produzir conteúdo! O mercado tem imenso potencial de crescimento nos próximos anos, aqui em Portugal e em qualquer outro país. É só uma questão de se manter atualizado e encontrar o seu nicho.